sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Comunidade cigana e os incidentes na noite de Tomar.

Porque merece destaque reproduz-se a declaração de Almerindo Lima à Rádio Hertz,






Almerindo Lima, membro da comunidade do Flecheiro, acusa a Guarda Nacional Republicana de ter agredido «quatro cidadãos de etnia cigana», com recurso a «coronhadas», na madrugada da última quinta-feira, altura em que houve lugar a mais um episódio de violência na zona histórica de Tomar.
Recorde-se que fonte oficial da GNR assegurou à Hertz que dois militares foram obrigados a disparar dois tiros para o ar no sentido de afastar alguns indivíduos que os rodeavam na rua de São João, sublinhando mesmo que os disparos «foram a hipótese menos gravosa de resolver a situação». A reacção das famílias de etnia cigana chegou à Hertz pela voz de Almerindo Lima, que explicou que os residentes no Flecheiro estavam no local errado e à hora errada. Almerindo Lima assegurou que, instantes antes dos incidentes, houve lugar a cenas de pancadaria na Praça da República e que até foi um membro da comunidade cigana que tentou serenar os ânimos. Depois, já na rua de São João, descreveu o nosso entrevistado, militares da GNR «encostaram os cidadãos de etnia cigana à parede e agrediram-nos à coronhada»: «Houve uma confusão na Praça da República com cerca de vinte habitantes tomarenses onde, por acaso, quem tentou serenar os ânimos. A confusão instalou-se na Praça da República pois houve várias agressões. Aquilo foi um pandemónio. Conclusão: os ciganos, por acaso, seguiram para a rua de São João onde, automaticamente, foram encostados à parede bruscamente, foram agredidos violentamente, até com coronhadas na cabeça. Há uma testemunha, que é de um estabelecimento de diversão nocturna, que saiu para a rua e tentou por cobro à situação e disse para os agentes policiais que os ciganos nada tinham a ver com a confusão na Praça da República. Há quatro ciganos que se exaltam um pouco, sim senhor, porque não gostaram da maneira como foram encostados à parede e os ânimos exaltaram-se um pouco. Há dois agentes que sacam da arma e disparam para o ar. Nesta situação, não estava a PSP mas sim a GNR. As quatro pessoas que foram agredidas tinham as marcas na cabeça. Já fui perguntar a outras testemunhas, não ciganas, para ter a realidade dos dois lados e cheguei à conclusão de que houve abuso policial. A pessoa, que é dono do estabelecimento de diversão nocturna, presenciou a acção toda e foi o primeiro a criticar a acção policial. A confusão na Praça da República, com vinte ou trinta membros, foi com o pessoal do bairro 1º de Maio. Nada teve a ver com a comunidade cigana, que foi apanhada de surpresa».
Queixa contra a GNR - Almerindo Lima disse que a comunidade irá recorrer às instâncias judiciais e acusou mesmo a Guarda Nacional Republicana, à escala nacional, por «perseguir as comunidades de etnia cigana»: «Eu acho que temos uma dita perseguição pela GNR a nível nacional. Tenho recebido várias denúncias a nível nacional e essas denúncias são por perseguições à comunidade cigana. Se recuarmos algum tempo, relembramos o caso da Vidigueira, onde a GNR espancou membros da comunidade. Isto está a ficar um pouco pesado face aos casos que têm ocorrido na nossa cidade. Ainda assim, no meu ver, Tomar é uma cidade cem por cento segura. Só pensa o contrário quem não conhece outras realidades... se formos para Lisboa, Leiria ou Entroncamento, temos criminalidade superior. Muitas vezes sou acusado de defender a comunidade cigana, mas eu não defendo a comunidade cigana... defendo o bem, o correcto e o justo. Somos um pouco o saco azul onde a maior parte das pessoas descarrega a sua frustração. Se recuarmos no tempo vemos que as últimas mortes não foram cometidas por membros de etnia cigana, os roubos, o tráfico, se aprofundarmos um pouco, logo ficamos a saber onde estão, afinal, os ditos marginais».